A Decadência Musical nos Eventos de Anime

Conheço o ex-pequeno meio musical dos eventos de anime no Brasil, desde 2010 quando entrei na Sugoi. Da mesma forma que o movimento de YouTubers cresceu bastante nos últimos dois anos, em que muitas pessoas começaram a investir nesta ferramenta e exposição, ter uma banda de animesongs ou J-Rock também era "moda". Independente da qualidade, muitas pessoas que sempre frequentaram eventos de anime e tinham alguma afinidade musical, resolveram se arriscar neste minúsculo nicho ao dedicar-se (ou não) aos ensaios, setlists, shows, negociações e viagens.


AnimABC 2012 - Show da Banda Sugoi

Em 3 anos de atividade com a Sugoi, conheci várias cidades, tocamos em vários lugares diferentes, conhecemos pessoas exóticas e nos divertimos. Lembro-me que em meados de 2014, lotávamos os palcos em Santo André no evento Up!ABC (ex-AnimABC), no entanto, resolvemos parar as atividades por prever essa possível decadência... e assim aconteceu.

O público que acompanhava as bandas, começou a consumir outras coisas, atingiram a maioridade, foram pro mercado de trabalho e um novo público e mais jovem começava a frequentar os eventos. Os organizadores de diversos eventos, notaram essa mudança e se adaptaram, ainda mais com o surgimento da Comic Con Experience, chegando de cara com um formato moderno para todas as idades. De lá pra cá, as bandas começaram a sumir, eventos pararam de investir seus 15 ou 20 mil em palco (por não trazer mais público), enquanto outros eventos focaram em atrações internacionais ou caras, tirando de vez a chance para bandas novatas.


 Ressaca Friends 2013 - Show do FLOW

Ressaca Friends 2016 - Sem atração musical

Talvez seja só uma questão de perspectiva, sem contar também a crise política e financeira que o país se encontra no momento.
Os artistas e bandas de anime que resolveram continuar, se adaptaram para a plataforma do YouTube, tornando-se assim "YouTubers", e conseguiram manter seus seguidores e fãs e até tocam em alguns lugares diferentes do Brasil. No entanto, essa decadência musical se espalha desde São Paulo - SP em forma radial, atingindo eventos do Suldeste, Sul e agora partindo pro Nordeste e Centro-Oeste. 

Para os profissionais do Marketing, é sempre difícil ter o timing de uma nova moda, forma de consumo, mas até os próprios YouTubers estão começando a sofrer uma mudança radical no seu trabalho, por conta de atualizações e algoritmos da própria plataforma, deixando assim em aberto para daqui 1 ou 2 anos, uma nova porta de atrações... ou simplesmente o fim de eventos pequenos e médios, e o monopólio do evento mundial que veio para o Brasil, cobrando seus 200 ou 300 reais de ingresso.

De repente, todos devemos correr para aquela direção. Ou não.
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